STF: Ciro Nogueira e Tarcísio negam conhecimento de golpe


Ex-ministros negam envolvimento de Bolsonaro em tentativa de golpe

Os ex-ministros Ciro Nogueira (Casa Civil), hoje senador, e Tarcísio de Freitas (Infraestrutura), atual governador de São Paulo, negaram qualquer envolvimento do ex-presidente Jair Bolsonaro com tentativas de ruptura institucional ou golpe de Estado. Ambos foram ouvidos por videoconferência como testemunhas de defesa de Bolsonaro em uma ação penal que investiga uma suposta trama golpista para manter o ex-presidente no poder, mesmo após a derrota na tentativa de reeleição em 2022. A audiência foi presidida pelo ministro Alexandre de Moraes, relator do caso no Supremo Tribunal Federal (STF).

Depoimentos dos ex-ministros

Cotado como possível representante do bolsonarismo na próxima corrida presidencial, Tarcísio afirmou que nunca tratou, nem ouviu Bolsonaro tratar, de assuntos relacionados a golpes, tanto antes quanto depois da eleição. Ele mencionou que durante o período pós-eleitoral, quando já era governador e afastado do governo federal, visitou Bolsonaro no Palácio da Alvorada em Brasília por amizade, e em nenhum momento foram discutidos temas de ruptura.

“Da mesma forma, nesse período, na reta final do governo, nas visitas, tivemos várias conversas, jamais se tocou nesse assunto, jamais mencionou ruptura.”

O senador Ciro Nogueira também afirmou que Bolsonaro nunca mencionou qualquer tipo de ruptura nos encontros entre os dois após a derrota eleitoral. Ele ressaltou que todas as orientações dadas pelo presidente foram para que a transição ocorresse da melhor forma possível, garantindo a normalidade do processo.

“Em hipótese nenhuma. Nunca aconteceu isso. Todas as determinações que o presidente me deu foram para que fizesse a transição da melhor forma possível.”

Ambos ex-ministros relataram que Bolsonaro demonstrou sinais de depressão após a derrota eleitoral, mas que a transição ocorreu dentro da normalidade, e o presidente não interferiu em nenhum momento em qualquer situação que pudesse obstaculizar o processo.

Depoimentos dispensados

Estava previsto para a manhã desta sexta-feira o depoimento de Valdemar da Costa Neto, presidente do PL, partido de Bolsonaro. No entanto, ele foi dispensado pela defesa do ex-ministro da Justiça Anderson Torres, também réu na ação penal. Valdemar foi indiciado pela Polícia Federal por envolvimento na trama golpista, mas acabou sendo poupado na denúncia apresentada pela Procuradoria-Geral da República.

Outras testemunhas dispensadas foram os ex-ministros Gilson Machado (Turismo) e Eduardo Pazuello (Saúde), que falariam à tarde como testemunhas de Bolsonaro, mas foram dispensados pela equipe de defesa do ex-presidente. O advogado Amaury Feres Saad, apontado no inquérito policial como um dos mentores intelectuais de uma minuta de decreto com teor golpista, também foi dispensado e não foi denunciado pela PGR.

Testemunhas de defesa de Anderson Torres

O deputado distrital Hermeto (MDB) foi ouvido como testemunha de defesa do ex-ministro da Justiça Anderson Torres. Hermeto atuou como relator da CPI aberta pela Câmara Legislativa do Distrito Federal sobre os atos antidemocráticos de 8 de janeiro de 2023, quando as sedes dos Três Poderes foram invadidas por apoiadores de Bolsonaro.

Hermeto explicou que não indiciou Torres no relatório final da CPI porque não viu nele a responsabilidade, uma vez que o secretário de Segurança em exercício e as forças de segurança respondiam a ele. Em seguida, a secretária de Desenvolvimento Social do DF, Ana Paula Soares Marra, confirmou ter participado de uma reunião com Torres e o general Gustavo Henrique Dutra de Menezes, então chefe do Comando Militar do Planalto, sobre a desmobilização de um acampamento de bolsonaristas em Brasília.

“A pauta na ocasião foi a desmobilização do acampamento em frente ao Quartel-General do Exército, em Brasília, onde bolsonaristas acampavam há meses e defendiam uma intervenção militar no país.”

O chefe de gabinete do secretário de Segurança Pública convocou Ana Paula para uma reunião urgente. Durante o encontro, foram apresentadas fotos que indicavam uma relativa desmobilização do acampamento e foi estabelecido um plano para a retirada das pessoas do local na semana seguinte, com a ajuda de equipes de abordagem social devido ao grande número de pessoas em situação de rua nos arredores.

Entenda

A ação penal 2668 foi aberta após a Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal aceitar, em março, parte da denúncia da Procuradoria-Geral da República relacionada ao chamado núcleo “crucial” do golpe, composto pelas principais cabeças do complô. Entre os réus dessa ação penal estão o presidente Bolsonaro, apontado pela PGR como líder e principal beneficiário da trama golpista, além de Torres e outros sete ex-ministros de seu governo e assessores próximos.

As testemunhas do caso começaram a ser ouvidas em 19 de maio, por videoconferência, e os depoimentos seguem até 2 de junho. Nesta sexta-feira, às 14h, estão agendados os depoimentos de mais quatro testemunhas de Bolsonaro. As audiências estão sendo presididas pelo ministro Alexandre de Morares, relator do caso, que proibiu qualquer tipo de gravação das audiências. A presença de jornalistas na sala da Primeira Turma do STF foi autorizada para acompanhar as falas.

Fonte: Agência Brasil

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