Segurança pública deve se basear em evidências, afirma estudo.

Segurança Pública no Rio de Janeiro: Realidade e Necessidades

A diretora de Dados e Transparência do Instituto Fogo Cruzado, Maria Isabel Couto, defende que a segurança pública deve ser embasada em evidências, tanto no estado do Rio de Janeiro quanto em todo o Brasil. Em uma coletiva de imprensa realizada na quarta-feira (5), Maria Isabel destacou a gravidade do problema na região, ressaltando que a análise baseada em dados possibilita enxergar soluções para esta questão.

Dados do Estudo Inédito

Segundo ela, a conclusão principal do estudo inédito “Grande Rio sob Disputa: Mapeamento dos Confrontos por Território”, realizado em parceria com o Grupo de Estudos dos Novos Ilegalismos da Universidade Federal Fluminense (Geni-UFF), é alarmante. O levantamento considerou informações sobre tiroteios e operações entre os anos de 2017 e 2023, provenientes de diversas fontes como Fogo Cruzado, Geni, Disque Denúncia e Instituto de Segurança Pública (ISP-RJ) nos anos de 2017 a 2022.

A análise revela que quase metade dos confrontos registrados contavam com a presença de policiais, afetando cerca de 60% dos bairros da região. Apesar da média de 17 confrontos diários na região metropolitana do Rio de Janeiro, mais da metade dos bairros não foram impactados por ocorrências desse tipo. Maria Isabel destaca ainda que a maioria dos eventos ocorre de forma pontual e de baixa intensidade, não sendo uma violência crônica.

Perspectivas e Desafios

Para a diretora do Fogo Cruzado, políticas públicas eficazes devem levar em conta essas evidências para aplicar medidas adequadas nos locais onde são realmente necessárias. A aplicação desmedida de recursos de guerra em áreas com baixa intensidade de conflitos pode agravar a situação. Ela alerta que a atuação policial indiscriminada contribui para tornar a polícia parte do problema ao invés de parte da solução, enfatizando a importância da calibração das medidas de segurança pública.

Padrões de Distribuição

O relatório aponta que a distribuição dos conflitos não é uniforme na região metropolitana do Rio de Janeiro, com áreas de concentração específicas. O estudo revela que a presença policial em confrontos no tráfico é mais expressiva do que nas áreas dominadas pela milícia, gerando disparidades nos padrões de concentração desses eventos.

Destaca-se que, proporcionalmente, a polícia atua de maneira mais incisiva nas áreas do tráfico, apesar de não indicar que este seja mais violento que a milícia. O Comando Vermelho é identificado como a facção que mais conquista territórios, enquanto os dados refutam a ideia de que as milícias seriam um mal menor em relação ao tráfico.

Conquistas e Colonização

Os grupos armados adotam padrões de conquista e colonização de territórios, sendo a colonização a estratégia predominante na expansão territorial. A análise revela que a milícia tende a colonizar áreas dominadas pelo Comando Vermelho através de confrontos, evidenciando a complexidade das dinâmicas de poder.

O estudo, inserido no projeto Mapa Histórico dos Grupos Armados do Rio de Janeiro, lançado em 2021, reforça a importância da compreensão da dinâmica dos conflitos para a formulação de políticas públicas mais eficientes no combate à violência no Rio de Janeiro.

Já segue o macuxi nas redes sociais? Acompanhe todas as notícias em nosso Instagram, Twitter, Facebook, Telegram e também no Tiktok