Marine Le Pen, líder da extrema direita na França, é condenada e fica inelegível

Marine Le Pen é declarada inelegível pela Justiça francesa

A líder da extrema direita na França, Marine Le Pen, foi declarada inelegível nesta segunda-feira (31) pela Justiça francesa.

Le Pen foi condenada por desvio de verbas públicas e também sentenciada a quatro anos de prisão — das quais duas devem ser anuladas. A Justiça decidiu que ela deve ficar inelegível por cinco anos. Ela deve recorrer da decisão.

Le Pen liderava as pesquisas de intenção de voto para as próximas eleições presidenciais na França, em 2027.

Segundo a condenação, ela desviou verbas de gabinete quando era deputada no Parlamento Europeu para pagar funcionários de seu partido, o Reunião Nacional.

No julgamento, Le Pen e seu partido argumentaram que o dinheiro foi usado de forma legítima e que as alegações definiram de forma muito restrita o que um assistente parlamentar faz.

Mas a juíza Bénédicte de Perthuis, que anunciou o veredito, disse que Le Pen sabia do esquema e estava “no centro” dele.

A juíza, do tribunal do Paris que julgou o caso, calculou o prejuízo total em 2,9 milhões de euros (cerca de R$ 18 milhões de reais), ao fazer “o Parlamento Europeu pagar pessoas que na realidade trabalhavam para o partido”.

Repercussão

A líder do partido da extrema direita da França, Marine Le Pen, deixa tribunal após ser condenada por desvios de fundos públicos, em 31 de março de 2025. — Foto: Stephanie Lecocq/ Reuters

O Reunião Nacional disse que a sentença desta segunda foi a “execução da democracia francesa”.

Aliados de Le Pen também criticaram a decisão. O Kremlin disse que a Justiça francesa condenou a democracia no país — o presidente russo, Vladimir Putin, já fez declarações favoráveis a Le Pen, que costuma ser questionada na França por sua proximidade com ele.

O presidente da Hungria, Viktor Orbán, também da extrema direita, condenou a decisão.

Marine Le Pen ainda não havia se pronunciado sobre a condenação até a última atualização desta reportagem. Ela deixou o tribunal antes de o juiz anunciar a sentença.

‘Momento político sísmico’

Arnaud Benedetti, analista político que escreveu um livro sobre o RN, disse que a proibição de Le Pen é um momento decisivo na política francesa que repercutirá em todos os partidos e no eleitorado.

“Esse é um evento político sísmico”, disse ele. “Inevitavelmente, isso vai remodelar o grupo, especialmente à direita.”

O que acontece agora?

Apesar de Marine Le Pen ainda não ter se manifestado, os franceses já começaram a especular os cenários a partir da inelegibilidade da deputada.

O principal cenário é que Jordan Bardella, considerado o “pupilo” de Le Pen, se candidate em seu lugar. Bardella chegou a concorrer, no ano passado, nas eleições para primeiro-ministro — cargo que governa em conjunto com presidente na França, mas tem menos importância e peso simbólico no país europeu.

Nesta segunda, Bardella se pronunciou sobre a condenação de Le Pen, dizendo que “foi a democracia que foi assassinada hoje”. Mas ele não informou se pretende concorrer no lugar da deputada.

Fonte: G1

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